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Todos contra o Brasil

golpistas

O PaΓ­s comeΓ§a a debater uma nova polΓ­tica industrial apΓ³s ter programas de incentivo Γ  exportaΓ§Γ£o questionados na OMC pela UniΓ£o Europeia e pelo JapΓ£o e a enfrentar disputas comerciais com EUA e Argentina.
O Brasil pΓ³s golpe, perdeu credibilidade e confianΓ§a. O paΓ­s precisa quebrar o retrocesso imposto por Temer e a Rede Globo.
Depois de 61 anos, a fΓ‘brica da Ericsson instalada na cidade de SΓ£o JosΓ© dos Campos, na regiΓ£o do Vale do ParaΓ­ba, em SΓ£o Paulo, pode estar de mudanΓ§a. Uma das maiores fornecedoras de componentes para telecomunicaΓ§Γ΅es na AmΓ©rica Latina, com mais de 40% de participaΓ§Γ£o de mercado, a empresa estuda fechar sua unidade no PaΓ­s. A medida, um tanto quanto drΓ‘stica, nΓ£o Γ© um disparate provocado pela crise econΓ΄mica. A decisΓ£o estΓ‘ ligada ao resultado de uma anΓ‘lise da OrganizaΓ§Γ£o Mundial do ComΓ©rcio (OMC). O Brasil estΓ‘ prΓ³ximo de ser condenado por infringir regras globais de polΓ­tica industrial.

Segundo o acordo multilateral, Γ© proibido qualquer incentivo fiscal para que empresas passem a exportar. Com sete programas para setores como automotivo, eletroeletrΓ΄nico e siderΓΊrgico, o PaΓ­s entrou na mira de grandes potΓͺncias como JapΓ£o e UniΓ£o Europeia. Eles questionam, desde meados de 2012, justamente esses estΓ­mulos aos exportadores. “Se o Brasil for realmente condenado, o governo terΓ‘ de mudar as polΓ­ticas industriais adotadas nos ΓΊltimos quinze anos”, diz Tiago Machado, gerente de relaΓ§Γ΅es com a indΓΊstria e o governo da Ericsson.

“Ainda nΓ£o sabemos quais serΓ£o as mudanΓ§as e se conseguiremos reacomodar os impactos, caso eles sejam mais custosos. Por isso, nenhum cenΓ‘rio Γ© descartado.” Elaborados durante o governo de Dilma Rousseff, sob a tutela do ministro da Fazenda, Guido Mantega, os sete programas (Inovar-Auto, Lei de InformΓ‘tica Nacional, InclusΓ£o Digital, Padis, PATVD, PEC e Recap) foram condenados pela OMC em primeira instΓ’ncia. A equipe do ministro JosΓ© Serra, no Itamaraty, tem de entregar a defesa brasileira atΓ© 14 de dezembro, quando a organizaΓ§Γ£o publicarΓ‘ a decisΓ£o final.

Criados para incentivar a indΓΊstria local, que enfrentava dificuldades, em 2011, principalmente pela desvalorizaΓ§Γ£o cambial, que beirava os R$ 2,60, eles tornaram o mercado brasileiro ainda mais protecionista e menos competitivo no cenΓ‘rio internacional. O programa Inovar-Auto, por exemplo, garantiu que montadoras que produzissem ao menos 65% do conteΓΊdo localmente, receberiam, em troca, isenΓ§Γ£o no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). AlΓ©m disso, ficou estabelecido um imposto de importaΓ§Γ£o de 35% para carros trazidos de paΓ­ses fora do Mercosul, bem como uma taxa adicional de 30 pontos percentuais a empresas que nΓ£o fabricassem no Brasil.

Os incentivos atraΓ­ram grandes montadoras, como Land Rover, Mercedez-Benz e BMW, que nΓ£o tinham fΓ‘bricas no PaΓ­s. Naquele perΓ­odo, o mercado brasileiro era o quarto maior no mundo. No curto prazo, o Inovar-Auto deu certo. Mas, com o cenΓ‘rio recessivo de 2015, o setor passou a utilizar apenas 47% de sua capacidade instalada, alΓ©m de protagonizar constantes demissΓ΅es e fΓ©rias coletivas para adequar a produΓ§Γ£o Γ  queda das vendas – o mercado encolheu para o oitavo lugar no ranking mundial. O protecionismo exacerbado afetou, tambΓ©m, o setor de autopeΓ§as, que sofre com as taxas e barreiras de importaΓ§Γ£o.

“Para nΓ³s, nΓ£o foi uma surpresa a condenaΓ§Γ£o da OMC, pois sabemos que alguns mecanismos do Inovar-Auto nΓ£o estΓ£o em linha com o que o Γ³rgΓ£o pede”, diz Antonio Megale, presidente da Anfavea e diretor de assuntos governamentais da Volkswagen. “Precisamos entender com profundidade os pontos que a OMC recriminou, para pensarmos numa polΓ­tica industrial futura que seja compatΓ­vel tanto com a nossa realidade como com os requisitos deles.” Assim como o JapΓ£o e a UniΓ£o Europeia, os Estados Unidos apertaram o cerco contra o Brasil.

Em marΓ§o deste ano, os americanos alegaram que empresas siderΓΊrgicas, como a CSN e a Usiminas, violavam regras antidumping no mercado de aΓ§o. Na avaliaΓ§Γ£o daquele paΓ­s, o setor Γ© subsidiado, no Brasil, por programas de promoΓ§Γ£o Γ s exportaΓ§Γ΅es, como o Regime Especial de ReintegraΓ§Γ£o de Valores TributΓ‘rios para as Empresas Exportadoras (Reintegra), desoneraΓ§Γ£o da folha de pagamentos, abatimento do IPI para mΓ‘quinas e equipamentos e Sistema Integrado de Drawback. Como medida punitiva, os americanos passaram a impor uma sobretaxa aos produtos da CSN e da Usiminas.

A resposta do Brasil veio na ΓΊltima semana, com uma queixa contra os EUA na OMC. “Sabemos que o Brasil Γ© protecionista, mas os programas usados pela indΓΊstria da siderurgia estΓ£o de acordo com as normas internacionais”, diz o executivo de uma siderΓΊrgica nacional. “O foco deve ser repensar a polΓ­tica industrial, para que o setor volte a ter alta representatividade no PIB nacional.” Essas disputas sΓ£o um entrave na estratΓ©gia do governo federal de expandir suas exportaΓ§Γ΅es. Para complicar ainda mais, o Brasil passou a sentir o gosto amargo do protecionismo que aplica.

A Argentina, um de seus principais parceiros comerciais, passou a dificultar a entrada de produtos estrangeiros no paΓ­s. Desde que tomou posse, o presidente Mauricio Macri colocou em vigor uma barreira de importaΓ§Γ£o chamada licenΓ§a nΓ£o automΓ‘tica, ou LNA. Atualmente, a lista conta com 1.629 produtos e atinge 21% das importaΓ§Γ΅es. Desde junho, as barreiras passaram a ser prejudiciais para setores que sΓ£o fortes no local, como o tΓͺxtil e o calΓ§adista.

No inΓ­cio dos anos 2000, a Argentina era o destino de mais de 20% das exportaΓ§Γ΅es da indΓΊstria calΓ§adista brasileira. Atualmente, nΓ£o chega a 10%. Para reverter esse cenΓ‘rio, Heitor Klein, presidente da AbicalΓ§ados, juntamente com a embaixada brasileira na Argentina, passou a realizar negociaΓ§Γ΅es para pΓ΄r fim a essas barreiras. “Acredito que, em atΓ© duas semanas, a situaΓ§Γ£o seja resolvida”, diz Klein. “A Argentina Γ© um mercado muito importante para nΓ³s e a retomada econΓ΄mica de ambos os paΓ­ses vai nos ajudar a intensificar os negΓ³cios.”

NOVA POLÍTICA INDUSTRIAL? 

Esse cerco internacional ao Brasil retomou a discussΓ£o da necessidade de uma nova polΓ­tica industrial. Desta vez, com medidas que possam ser usadas no longo prazo. A indΓΊstria brasileira, que jΓ‘ chegou a ser responsΓ‘vel por 20% do PIB nacional, hoje responde por apenas 12%. AlΓ©m disso, o setor vΓͺ sua produΓ§Γ£o encolhendo mΓͺs a mΓͺs. No ΓΊltimo resultado divulgado pelo IBGE, em agosto, o recuo da produΓ§Γ£o foi de quase 4%, o pior resultado desde janeiro de 2012.

JΓ‘ as exportaΓ§Γ΅es estΓ£o em queda de 6,1%, de acordo com dados da ConfederaΓ§Γ£o Nacional da IndΓΊstria (CNI). Para especialistas, a condenaΓ§Γ£o do PaΓ­s na OMC pode servir como oportunidade para que o governo leve ao Congresso a proposta de reformas que contemplem a indΓΊstria, como a trabalhista e a tributΓ‘ria. “Aumento do protecionismo e isenΓ§Γ£o de impostos nΓ£o sΓ£o a saΓ­da para fortalecer a indΓΊstria”, diz o ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge, sΓ³cio da Barral M Jorge Consultores. “Temos que nos integrar Γ s cadeias mundiais, facilitar as exportaΓ§Γ΅es e termos uma balanΓ§a superavitΓ‘ria.” Por enquanto, o Brasil estΓ‘ entrincheirado. Γ‰ preciso mudar.

Na trincheira

A OrganizaΓ§Γ£o Mundial do ComΓ©rcio (OMC) fechou o cerco contra as polΓ­ticas industriais do Brasil. Entenda:

• O caso: UniΓ£o Europeia e JapΓ£o questionam na OMC polΓ­ticas industriais brasileiras. Eles consideram que os programas infringem as leis de comΓ©rcio global ao incentivar as exportaΓ§Γ΅es

• Setores atingidos: automotivo, eletroeletrΓ΄nico, aΓ§ΓΊcar, celulose, siderΓΊrgico, mineraΓ§Γ£o e sucroalcooleiro

• PosiΓ§Γ£o da OMC: apΓ³s analisar os questionamentos, a organizaΓ§Γ£o condenou, no inΓ­cio de novembro, o Brasil em primeira instΓ’ncia

• PrΓ³ximo passo: em 14 de dezembro, a OMC divulgarΓ‘ 
o relatΓ³rio final, com os argumentos brasileiros

• Se for condenado? Se a decisΓ£o for mantida, o Brasil terΓ‘ de revisar os programas e polΓ­ticas industriais

• Se o Brasil nΓ£o revisar as regras? A UniΓ£o Europeia e o JapΓ£o poderΓ£o entrar com retaliaΓ§Γ£o ao comΓ©rcio brasileiro, por meio da OMC.

LΓΊcio Soares

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